Apesar de serem muitas vezes vistos como uma praga urbana - com dejectos que sujam estátuas, passeios e parapeitos onde, por vezes, são colocados picos para evitar que pousam - há pombos que, em Portugal, são criados e treinados para competição. A columbofilia mantém-se como um desporto com expressão nacional, apontado como o segundo mais praticado no país a seguir ao futebol.
Em cidades como Londres, os pombos são frequentemente apelidados de “ratos voadores” e encarados como um incómodo. O abate ainda não avançou, mas existem medidas de dissuasão não letais, como a utilização de falcões, e foi proibida a alimentação destas aves em zonas turísticas.
Columbofilia em Portugal: um desporto organizado em mais de 500 clubes
Em Portugal, a criação e competição com pombos-correio é descrita como um sector activo, com cerca de 18.000 columbófilos registados - os criadores que reproduzem, tratam e treinam um efectivo estimado em 4 milhões de pombos.
A modalidade está organizada sob a Federação Portuguesa de Columbofilia de Corrida (FPCOL), através de mais de 500 clubes e 14 associações regionais, o que sustenta um calendário com milhares de participantes e eventos, num contexto internacional em que, nalgumas regiões, se regista uma diminuição de adesão.
Como entrar na columbofilia: compra do pombo, pombal e rotinas
O ponto de partida passa por adquirir um pombo, com valores que variam muito: de algumas centenas de euros a milhares - e podendo chegar a milhões quando estão em causa linhagens campeãs.
Entre as recomendações para quem começa, surge a ideia de iniciar com poucos exemplares, mas de qualidade, comprados a um especialista local, e criar rotinas diárias de alimentação e limpeza. A construção do pombal - o espaço onde as aves vivem - pode ir de estruturas simples no quintal a viveiros personalizados, mas há critérios considerados prioritários: ventilação, ambiente seco, luz e segurança.
O espaço é apontado como determinante: um pombal amplo é importante para que cada ave, ou cada casal, tenha a sua área de ninho e poleiro, evitando sobrelotação e stress. A alimentação também é um tema central, com receitas que variam consoante cada criador, sobretudo quando o objectivo é competir.
O que indica se um pombo pode ser bom corredor
A identificação de um potencial corredor depende, em simultâneo, de pedigree e de resultados no treino. Tanto machos como fêmeas podem competir, desde que apresentem boa condição física, energia e atenção, e um instinto natural de regresso ao pombal.
Ainda assim, o factor decisivo é a consistência no desempenho durante treinos e corridas, uma vez que as características físicas apenas sugerem potencial. Um método referido no treino são as “soltas”: os pombos são libertados a distâncias cada vez maiores para testar a capacidade de orientação e regresso a casa.
Anilhagem: identificação oficial para provas e contacto do proprietário
Em Portugal, os pombos são anilhados por columbófilos amadores e por membros de clubes locais de columbofilia, para registo no circuito de competição e de exposições. As anilhas oficiais funcionam como identificação nas provas nacionais e permitem ao proprietário acompanhar as aves em corrida.
As anilhas incluem números, anos e, por vezes, códigos do clube e números de telefone, facilitando o contacto com o dono ou a verificação em bases de dados através da federação nacional quando um pombo é encontrado.
Treino colectivo e logística dos clubes
Uma das vantagens do treino em grupo é o facto de os pombos aprenderem entre si: bandos conseguem orientar-se de forma mais eficiente, usando padrões de liderança e seguimento que ajudam a “juntar” informação de navegação - algo considerado relevante na preparação.
Os clubes recorrem frequentemente a camiões de treino, permitindo que os membros libertem as aves em conjunto, com redução de custos e habituação a condições semelhantes às da competição, incluindo libertações a partir de locais variados.
Participação em clubes e provas nacionais, como o Mira International Championships
A entrada na modalidade passa, muitas vezes, por aderir a um clube local ou associação, onde é possível encontrar orientação, mentores e acesso a corridas. A actividade é descrita como centrada em estruturas federativas como a Federação Portuguesa de Columbofilia (FPC), que organiza eventos de grande dimensão, incluindo o Mira International Championships, com competições alargadas e leilões de aves de elevada qualidade.
No terreno, a prática é associada a um processo exigente e contínuo, assente em paciência, observação e cuidados consistentes com os animais.
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