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Durante anos vista como fora de moda, este penteado é agora o mais recomendado por cabeleireiros para quem tem mais de 50 anos.

Mulher com cabelo curto a ser cortado por cabeleireiro num salão, com produtos de cabelo no fundo.

Às 9h15 de uma manhã de terça-feira, o salão ainda está meio adormecido.

Chávenas de café no balcão, o zumbido suave dos secadores ao fundo e aquele cheiro particular de laca e champô que nunca desaparece por completo. No espelho, uma mulher no início dos 60 enrola uma madeixa de cabelo entre os dedos, hesitante. Mostra ao cabeleireiro uma foto dos anos 90, ri-se e depois sussurra: “Não quero parecer velha… mas também não quero parecer que estou a esforçar-me demasiado.”

O cabeleireiro sorri, pega no telemóvel e abana a cabeça com delicadeza. Aponta não para o shag moderno ou para as ondas longas de praia por onde ela estava a deslizar, mas para outra coisa. Um estilo que ela achava ter deixado para trás há anos. Um estilo que a filha chama de “mesmo cabelo de mãe”. Um estilo que ela tinha a certeza de estar irremediavelmente fora de moda.

E se o penteado que gozámos durante anos for, afinal, aquele que nos faz parecer mais vivas depois dos 50?

O corte “datado” que, em segredo, faz milagres depois dos 50

“Vamos para um bob em camadas”, diz o cabeleireiro. Não a versão rígida em forma de capacete das fotografias antigas do cartão da empresa. Um bob macio, ligeiramente arredondado, com camadas, que mexe quando vira a cabeça e não luta contra a sua textura natural. Durante anos, o bob foi rotulado como “cabelo de tia”, o corte por defeito das mulheres que “desistiram”. Mas cada vez mais profissionais dizem o contrário: depois dos 50, é o estilo que salva tudo.

Porquê? Porque o cabelo muda. Afina, perde densidade, as pontas ficam mais ásperas e a raiz achata. Comprimentos longos muitas vezes “puxam” o rosto para baixo em vez de o enquadrarem. Um bob, especialmente à altura do maxilar ou ligeiramente acima dos ombros, aligeira toda a silhueta. Levanta as maçãs do rosto, revela o pescoço e cria aquela linha limpa à volta da face que fica instantaneamente cuidada.

Um hairstylist parisiense disse-me que oito em cada dez mulheres com mais de 50 anos que entram a pedir “algo moderno” saem com alguma variação de bob. Às vezes nem se apercebem de que é um bob: o corte é desfiado, texturizado, por vezes ligeiramente assimétrico ou com uma franja leve. Quando se vêem ao espelho, dizem: “Estou com um ar mais fresco, mas continuo a ser eu.” É esse o ponto ideal que a maioria procura.

Veja-se a Claire, 57, que entrou num salão em Lyon a segurar uma fotografia de um corte comprido e ondulado de influencer. O cabelo dela era fino, ligeiramente frisado e pesado nas pontas. O stylist sugeriu um bob em camadas a bater logo abaixo do queixo, com uma risca lateral suave. A Claire desconfiou: “Eu tinha isso aos 35, não quero andar para trás.” Tentaram na mesma. Quando voltou a pôr os óculos no fim, ficou em silêncio alguns segundos. Depois ligou à irmã em FaceTime, ainda na cadeira. “Parece que acordei”, riu-se. A linha do maxilar estava mais definida, as sombras por baixo dos olhos menos visíveis.

Histórias como a dela estão por todo o lado. Salões de Londres a Marselha relatam o mesmo padrão: mulheres entre os 50 e os 65 entram a pedir uma tendência, mas saem com um bob adaptado à vida real. Não a versão de catálogo, a versão vivida. Funciona com cabelo grisalho, pintado, encaracolado, ondulado ou liso. O truque está nas camadas, não no rótulo. No Instagram, hashtags discretas como #modernbob e #silverbob estão cheias de mulheres que juraram que nunca mais cortariam acima dos ombros.

Há uma lógica simples por trás desta mudança. Depois dos 50, o rosto muda: a textura da pele, a visibilidade da estrutura óssea, até a postura. Uma cortina longa e lisa de cabelo pode enquadrar cada pequena insegurança em vez de a suavizar. Um bob em camadas, ligeiramente levantado atrás, abre o rosto e brinca com a luz. Encurta a “distância visual” entre cabelo e traços, fazendo com que os olhos pareçam mais brilhantes e os lábios mais cheios. Em vez de se esconder atrás do cabelo, sai debaixo dele.

Também do ponto de vista psicológico é poderoso. Largar o cabelo comprido não é só uma escolha de estilo, é um momento. Muitas mulheres ligam a feminilidade ao comprimento. Quando um corte as faz sentir elegantes, leves, até um pouco atrevidas, saem do salão a andar de outra forma. O bob deixa de ser “cabelo de mãe” e passa a ser “agora sei quem sou” no cabelo. É por isso que tantos cabeleireiros continuam a recomendá-lo, mesmo que a palavra ainda assuste algumas clientes.

Como usar o bob em camadas depois dos 50 sem parecer “à moda antiga”

O segredo está nos detalhes. Um bob favorecedor depois dos 50 raramente é uma linha rígida e direita. É ligeiramente “partido”, com camadas discretas que retiram peso mas mantêm volume no topo. Para cabelo fino, os profissionais costumam sugerir um bob entre o maxilar e a clavícula, com uma graduação suave, quase invisível, na nuca. Isso mantém a silhueta leve sem expor cada milímetro do pescoço, se não lhe apetecer.

O movimento é fundamental. Peça textura: um pouco de camadas internas, algum desfiado junto às maçãs do rosto, talvez uma franja cortina a roçar as sobrancelhas. Tudo isto desfoca ângulos duros e acrescenta suavidade. O objetivo é que o cabelo pareça cair assim por si só. Muitos stylists também jogam com as riscas: uma risca lateral suave para rostos mais redondos, uma risca ligeiramente fora do centro para rostos mais alongados. Algumas madeixas bem colocadas ou um balayage suave à frente podem finalizar o efeito - como um ring light incorporado.

Pentear este corte não deve tornar-se uma batalha diária. Uma escova redonda e cinco minutos de secador na zona da frente podem ser suficientes para dar forma, deixando a parte de trás “fazer o seu trabalho”. Sejamos honestas: ninguém faz isto todos os dias. Por isso, o corte em si tem de resultar mesmo ao natural. Cada vez mais cabeleireiros testam o cabelo no seu estado natural durante a marcação, para esculpir a forma de acordo com a forma como ele cai - não apenas com o aspeto quando está perfeitamente escovado.

É aqui que o lado emocional entra de mansinho. Muitas vezes há um momento na cadeira em que caem as primeiras mechas grandes e a cliente agarra os apoios de braço. Num nível mais profundo, não está apenas a cortar cabelo - está a cortar uma era. Por isso, uma conversa honesta com o stylist importa: o que gosta de mostrar, o que quer suavizar, quanto tempo dedica realisticamente ao cabelo?

Muitos erros comuns vêm de querer “tudo ao mesmo tempo”: muito curto, muito em camadas, muito esticado, muito pintado. Em cabelo maduro, o excesso costuma notar-se. O bob em camadas funciona melhor quando é simples, mas intencional. Um foco de cada vez: talvez o movimento, talvez o contraste de cor, talvez a franja. E se vem de cabelo comprido, passar diretamente para um bob pelo queixo pode parecer brusco. Uma versão média, logo acima dos ombros, pode ser um passo mais suave.

Há também a pressão social: filhas a dizer “não cortes, cabelo comprido é mais feminino”, colegas a insinuar que cabelo curto envelhece. Interiorizamos vozes que não são nossas. Um bom profissional vai ouvir, não apenas executar. Vai sugerir formas de manter uma sensação de suavidade e sensualidade no corte: uma frente ligeiramente mais comprida, um toque de onda, algumas mechas a enquadrar o rosto que se mexem quando se ri.

“O bob dito ‘à antiga’ só envelhece quando é tratado como um uniforme”, explica o cabeleireiro londrino Mark H., que atende clientes dos 18 aos 80. “Quando é adaptado à sua textura, aos seus óculos, à sua linha do maxilar, acontece o contrário. Devolve-lhe energia.”

Depois de feito o corte, alguns hábitos simples fazem toda a diferença sem transformar a casa de banho num estúdio de bastidores:

  • Use um spray leve de volume na raiz em vez de séruns pesados que achatam a forma.
  • Peça uma linha ligeiramente “quebrada” nas pontas, e não uma linha completamente direita, para que o crescimento continue suave.
  • Refresque o corte a cada 6–8 semanas para manter o contorno limpo e evitar o temido efeito “triângulo”.

Esses pequenos ajustes impedem o bob de voltar à sua velha reputação. Mantêm-no moderno, leve e muito seu.

Mais do que um corte: uma mudança silenciosa na forma como envelhecemos

O que é fascinante neste “regresso” do bob depois dos 50 é que ele espelha uma mudança mais profunda. Durante muito tempo, a mensagem da beleza foi clara: manter-se jovem a qualquer custo - ou desaparecer. Agora, mais mulheres querem outra coisa. Não enganar o tempo, mas parecer a melhor e mais lúcida versão de si mesmas. O cabelo é uma das formas mais visíveis de dizer isso sem falar. Um bob bem cortado em cabelo prateado pode transmitir uma mensagem mais forte do que qualquer anúncio de creme anti-idade.

Num plano muito prático, muitas mulheres estão cansadas. Cansadas de lutar com alisadores, modeladores e produtos que prometem milagres e entregam frizz. Cansadas de organizar a vida em torno de marcações para pintar o cabelo. O bob em camadas, especialmente quando abraça os brancos naturais ou um tom mais suave, oferece uma espécie de trégua. Continua a cuidar de si, continua a brincar, mas já não negocia com o cabelo todas as manhãs. Numa noite mal dormida, a estrutura do corte “segura-a” quando o resto parece um pouco desfocado.

Num registo mais íntimo, este corte marca muitas vezes uma mudança de página. Filhos a sair de casa, uma mudança de carreira, uma separação, uma mudança de cidade, um novo amor. Numa tarde chuvosa, sentada em frente ao grande espelho do salão, muitas mulheres decidem: basta de tentar corresponder a uma versão de mim de há 20 anos. Querem um estilo que pertença à mulher que são hoje. Talvez seja por isso que o bob, durante tanto tempo gozado por ser aborrecido, está a tornar-se discretamente um símbolo de algo discretamente audaz depois dos 50: não pedir atenção aos gritos, apenas recusar, em silêncio, desaparecer.

Um penteado, por si só, não muda uma vida - claro. Mas pode ser a primeira decisão visível numa cadeia de outras: vestir-se de outra forma, usar finalmente aqueles brincos de que gosta, ousar um batom vermelho que achava “não ser para si”. O rosto enquadrado por essa nova forma é o mesmo e, no entanto, algo subtil mudou. As amigas reparam. Os parceiros reparam. Por vezes, estranhos também. Apanha-se refletida numa montra e, pela primeira vez, não desvia o olhar.

Ponto-chave Detalhe Interesse para a leitora
O corte “fora de moda” que regressa O bob em camadas, adaptado à textura e ao formato do rosto Descobrir uma opção que rejuvenesce sem mascarar
O papel do movimento Textura, camadas internas, franja leve ou risca deslocada Perceber como evitar o efeito capacete ou envelhecido
Um símbolo de transição Corte frequentemente escolhido em mudanças de vida depois dos 50 Reconhecer-se nesse momento e vivê-lo com mais serenidade

FAQ

  • Um bob não me vai fazer parecer mais velha? Tende a acontecer o contrário quando é suavemente escalado, ligeiramente elevado no topo, e cortado para favorecer os seus traços em vez de seguir um molde rígido.
  • Posso usar bob se o meu cabelo for muito fino? Sim, desde que o seu stylist evite “desbastar” demasiado as pontas e mantenha algum peso onde precisa de volume - normalmente junto ao maxilar e no topo.
  • E cabelo encaracolado ou ondulado depois dos 50? Um bob pode ficar lindíssimo em caracóis se for cortado a seco ou respeitando a textura natural, com camadas colocadas para estimular movimento em vez de volume excessivo.
  • Com que frequência devo aparar um bob em camadas? A maioria dos profissionais sugere a cada 6 a 8 semanas, para manter a linha limpa e as camadas equilibradas à medida que o cabelo cresce.
  • Tenho de o pentear todos os dias? Pode simplificar: uma secagem rápida à frente, talvez com escova redonda ou alguns minutos com um creme de styling, e deixar o corte fazer o trabalho principal.

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