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Caralhotas de almeirim em casa crosta estaladica e miolo macio passo a passo

Pão fresco a ser colocado no forno, em tabuleiro de madeira, com vapor visível na cozinha iluminada por janela.

Há tardes em que a cozinha pede silêncio: mãos enfarinhadas, forno a aquecer e aquele cheiro a pão doce que parece pôr a casa inteira em ordem. Foi numa dessas tentativas caseiras que vi as frases “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” e “claro! por favor, envie o texto que gostaria que fosse traduzido.” a aparecerem num chat, quando eu só queria transformar uma receita confusa num passo a passo claro - e percebi o valor de ter instruções simples, fiáveis e repetíveis.

As caralhotas de Almeirim não perdoam atalhos: ou saem com crosta estaladiça e miolo macio, ou ficam secas e sem graça. O segredo está menos em “mais açúcar” e mais em método: hidratação certa, fermentação bem gerida e forno quente com vapor no início.

O que torna uma caralhota “a sério” (e não só um pão doce)

A caralhota boa tem contraste. A crosta deve estalar ao toque e o miolo deve ceder, elástico e húmido, sem ficar massudo. Em casa, isto consegue‑se controlando três coisas: a força da farinha, o ponto da massa e a cozedura com choque térmico (calor + vapor).

Se está a pensar “eu não tenho batedeira” - óptimo. Esta massa responde bem a amassar à mão, desde que respeite tempos de descanso. E é aí que as receitas deixam de ser um texto e passam a ser um ritual.

Ingredientes (para 10–12 unidades)

  • 500 g farinha de trigo T55 (ou uma farinha “forte” para pão, se tiver)
  • 7 g fermento de padeiro seco (ou 20 g fresco)
  • 80–100 g açúcar (ajuste ao seu gosto)
  • 2 ovos
  • 220–250 ml leite morno (comece por 220 ml e ajuste)
  • 60 g manteiga amolecida (ou metade manteiga/metade banha, para um toque mais tradicional)
  • 1 colher (chá) rasa de sal
  • Raspa de 1 limão (opcional, mas ajuda muito)
  • 1 gema + 1 colher (sopa) de leite (para pincelar)
  • Açúcar para polvilhar (opcional)

Passo 1: Activar o fermento e “acordar” a massa

Misture o leite morno com uma colher de chá do açúcar e o fermento. Deixe 5–10 minutos até espumar ligeiramente; não precisa de ser um vulcão, mas deve dar sinais de vida. Se não espumar, pare aqui: ou o leite estava demasiado quente, ou o fermento já não presta.

Numa tigela grande, junte farinha, açúcar, sal e a raspa de limão. Faça um buraco ao centro e adicione os ovos e a mistura do fermento.

Passo 2: Amassar até ao ponto certo (sem afogar em farinha)

Comece por envolver com colher ou mão, e quando já não houver farinha solta, passe para a bancada. A massa deve ficar macia e ligeiramente pegajosa - é isso que dá miolo húmido. Se estiver a colar de forma impossível, acrescente farinha aos poucos (1 colher de sopa de cada vez), só o suficiente para conseguir amassar.

Ao fim de 6–8 minutos de amassar, adicione a manteiga amolecida em 2–3 vezes. No início parece que “estraga” a massa; continue. Depois de mais 6–10 minutos, deve obter uma massa lisa, elástica e que estica sem rasgar logo.

Um teste rápido que vale ouro

Estique um pedacinho de massa entre os dedos: se formar uma película fina antes de romper, está no caminho certo. Se rasgar de imediato, precisa de mais amassar ou de um descanso de 10 minutos e mais 2–3 minutos de trabalho.

Passo 3: Primeira levedação - a parte em que a pressa estraga tudo

Forme uma bola, coloque numa tigela untada e cubra. Deixe levedar até duplicar: 60–90 minutos, dependendo da temperatura da cozinha. Se a sua casa for fria, ligue o forno 1 minuto, desligue, e coloque lá a tigela (forno morno, não quente).

Aqui a massa ganha ar e estrutura. Se encurtar este passo, vai compensar no forno com secura; se o respeitar, o miolo agradece.

Passo 4: Moldar as caralhotas e fazer a segunda prova

Vire a massa para a bancada, retire o excesso de gás com um toque leve (sem esmagar) e divida em 10–12 porções. Boleie cada porção para criar tensão superficial: é essa “pele” que ajuda a crosta a ficar bonita e firme.

Coloque num tabuleiro com papel vegetal, deixando espaço entre elas. Cubra e deixe levedar mais 35–55 minutos, até ficarem fofas e com “tremor” suave quando abana o tabuleiro.

Passo 5: Cozer com vapor para crosta estaladiça e miolo macio

Aqueça o forno a 220 ºC (idealmente 15–20 minutos de pré‑aquecimento a sério). Coloque um tabuleiro vazio na base do forno para criar vapor. Pincele as caralhotas com a mistura de gema e leite, com cuidado para não as “murchar”.

Leve ao forno e, no momento de entrar o tabuleiro das caralhotas, deite uma chávena de água quente no tabuleiro vazio (afaste‑se do vapor). Coza 10 minutos a 220 ºC e depois baixe para 190–200 ºC por mais 8–12 minutos, até bem douradas. Arrefeça numa grelha para a base não amolecer.

Etapa Temperatura Tempo típico
Início com vapor 220 ºC 10 min
Final sem vapor 190–200 ºC 8–12 min

Pequenos ajustes que mudam o resultado (sem complicar)

Há truques discretos que dão aquele “estaladiço” sem transformar a receita num projecto. Se quer crosta mais marcada, não exagere na gema (camada fina) e garanta forno bem quente. Se quer miolo mais macio no dia seguinte, não deixe cozer em excesso: retire assim que a cor estiver certa e o fundo soar a oco.

  • Para mais estaladiço: vapor no início + grelha no arrefecimento + não tapar quente.
  • Para mais macio: massa ligeiramente húmida + cozedura exacta + guardar em saco de papel dentro de saco plástico (depois de frias).
  • Para brilho e toque doce: polvilhe um pouco de açúcar à saída do forno (opcional, mas clássico).

O “snapshot” do método (para guardar)

  1. Activar fermento em leite morno com um pouco de açúcar.
  2. Amassar até elástico; incorporar manteiga e levar ao ponto liso.
  3. Levedar até duplicar (sem atalhos).
  4. Bolear, segunda prova até ficarem leves.
  5. Forno bem quente + vapor no início; arrefecer em grelha.

FAQ:

  • Posso fazer a massa na véspera? Pode. Depois da primeira levedação, leve ao frigorífico bem tapada (8–12 h). No dia seguinte, deixe voltar à temperatura ambiente, molde e faça a segunda prova.
  • Não tenho farinha T55, dá com T65? Dá, mas pode precisar de um pouco mais de leite (a T65 costuma absorver mais). Vá ajustando aos poucos para manter a massa macia.
  • Como evito que fiquem secas? Não carregue na farinha ao amassar e não deixe cozer demais. Arrefeça em grelha e guarde só depois de completamente frias.
  • O vapor é mesmo necessário? Ajuda muito na crosta e no crescimento inicial. Se não quiser usar água no forno, pulverize ligeiramente as paredes do forno com água (rápido e com cuidado) ao colocar o tabuleiro.
  • Posso congelar? Sim. Congele já frias, bem embaladas. Para servir, descongele e aqueça 5–7 minutos a 180 ºC para recuperar a crosta.

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