Saltar para o conteúdo

Esponja na maquina de lavar resulta mesmo para tirar pelos e borboto

Pessoa a colocar roupa numa máquina de lavar, segurando uma esponja amarela. Há bolas e uma rede no tambor.

O truque da esponja: funciona, mas não como muita gente imagina

Há truques de lavandaria que parecem bons demais para ser verdade - e a esponja na máquina entra muitas vezes nessa categoria. Entre vídeos virais e dicas de “30 segundos”, a ideia espalhou-se: meter uma esponja no tambor e dizer adeus aos pelos e ao borboto. A questão é perceber o que é que isto faz mesmo (e o que não faz).

E vale a pena falar disto porque pelos de animais e borboto não são só um detalhe estético. Entram nos felpos das toalhas, agarram-se a malhas e polar e, no fim, deixam a roupa com ar cansado muito mais depressa, mesmo quando a lavagem foi bem feita.

A esponja na máquina pode ajudar, sim - sobretudo com pelos soltos e fibras à superfície - mas não “aspira” tudo por magia. O que ela faz é criar atrito e uma superfície onde parte dos pelos fica presa durante a rotação do tambor, em vez de continuar a circular e a voltar a colar ao tecido. Tende a resultar melhor com pelos finos (cão/gato) e em tecidos que os seguram facilmente, como polar, malhas e algodões com alguma textura.

Para borboto (as bolinhas de fibras), o impacto é mais curto. A lavagem pode soltar algum borboto já fraco, mas a esponja não substitui um tira-borbotos (depilador de malhas) quando as bolinhas já estão compactas e bem “agarradas”.

O ponto-chave é este: a esponja pode reduzir, não eliminar a 100%. E o resultado depende tanto do tipo de esponja como do programa de lavagem.

Que esponja usar (e qual nunca deve entrar no tambor)

Aqui é onde muita gente se engana. Nem todas as esponjas se comportam da mesma forma e algumas podem desfazer-se, libertar bocados, ou até riscar superfícies e estragar tecidos mais delicados.

O mais seguro, regra geral:

  • Esponja macia (tipo cozinha, lado amarelo), sem esfregão verde: menos agressiva e com menor risco de soltar partículas rígidas.
  • Esponja própria para pelos (ou “pet hair remover” para lavagens): são pensadas para aguentar ciclos repetidos e ter mais área de “agarre”.
  • Evitar esponjas abrasivas, metálicas ou muito velhas: podem desfazer-se e deixar resíduos no filtro e nas borrachas.

Se a esponja já está a esfarelar quando a aperta na mão, vai esfarelar ainda mais numa lavagem de 800/1000 rpm. E depois o “truque” vira manutenção extra.

Como usar na máquina sem estragar a roupa (nem entupir nada)

A forma mais simples de testar isto é encarar como um hábito discreto - daqueles que não dão espetáculo, mas poupam chatices.

Passo a passo prático:

  1. Coloque 1 a 2 esponjas no tambor, junto com a roupa (não na gaveta do detergente).
  2. Não encha demasiado a máquina: se o tambor estiver “à pinha”, a esponja não se mexe bem e apanha muito pouco.
  3. Escolha um programa com boa agitação (algodão, mistos). Em programas ultra-delicados, o efeito costuma ser menor.
  4. Depois da lavagem, retire as esponjas e limpe-as: normalmente ficam com uma camada de pelos/fibras que sai com água ou puxando à mão.
  5. Verifique o filtro da máquina com mais regularidade nas primeiras utilizações (principalmente se tiver animais).

Há ainda um detalhe que faz diferença: pré-remover o excesso. Se a peça estiver coberta de pelos (tipo manta do sofá), um rolo adesivo ou uma escova antes da lavagem reduz muito a “chuva” de fibras no ciclo e melhora o resultado final.

Onde a esponja brilha - e onde falha sem piedade

Há lavagens em que o truque parece genial. Noutras, a sensação é “meh” - e nem sempre é culpa da máquina.

Tende a funcionar melhor em:

  • Polar, fleece, mantas e camisolas que acumulam pelos soltos
  • Algodão texturado (toalhas, felpos leves)
  • Roupa do dia a dia com “poeira” de fibras e pelos finos

Tende a falhar (ou a ser pouco visível) em:

  • Tecidos muito lisos (alguns sintéticos) onde os pelos já se agarraram por estática
  • Peças já cheias de borboto “antigo” (bolinhas firmes)
  • Lavagens muito cheias, muito curtas ou muito delicadas

Uma nota importante: a esponja pode “apanhar” alguma fibra solta, mas o borboto forma-se sobretudo por fricção entre tecidos. Se misturar malhas com peças ásperas (como ganga), está a alimentar o problema dentro do mesmo tambor.

O que realmente reduz pelos e borboto a longo prazo

A esponja pode ser uma ajuda, mas os melhores resultados vêm da soma de pequenos ajustes. São os hábitos sem glamour que fazem a diferença entre “parece sempre cheio de pelos” e “fica aceitável sem esforço”.

  • Separe por tipo de tecido: malhas/polar longe de toalhas ásperas e ganga.
  • Vire as peças do avesso: reduz fricção visível e protege a face exterior.
  • Use menos detergente do que acha (sem exageros): excesso pode deixar resíduos que “agarram” fibras.
  • Amaciador com moderação: pode reduzir estática em alguns casos, mas também pode deixar filme em certos tecidos.
  • Evite secagens excessivas: tanto o calor como o tempo a mais contribuem para desgaste de fibras.

“O segredo não é um truque único. É impedir que a roupa se desgaste dentro do tambor como se estivesse a lixar-se”, disse-me uma técnica de lavandaria doméstica, quando lhe perguntei por que razão certas malhas envelhecem tão depressa.

Checklist rápido: vale a pena para si?

Se tem animais em casa, muito provavelmente sim. Se o seu problema principal é borboto em camisolas de malha, a esponja pode fazer pouco - e vai acabar por precisar de um tira-borbotos.

Use esta regra mental:

  • Pelos soltos e recorrentes? A esponja pode compensar.
  • Borboto velho e “bolinhas” duras? Ferramenta certa: depilador de tecidos.
  • Roupa muito delicada? Teste primeiro numa carga pequena.
Situação Melhor opção Resultado esperado
Mantas e polar com pelos de animal 1–2 esponjas + não encher a máquina Redução visível de pelos soltos
Malhas com borboto antigo Tira-borbotos (fora da lavagem) Remoção eficaz das bolinhas
Mistura de tecidos que largam fibras Separar cargas + virar do avesso Menos desgaste e menos borboto

E no fim do dia: é “hack” ou hábito útil?

A esponja na máquina resulta - quando usada com critério e com expectativas realistas. Não substitui manutenção (filtro), não resolve borboto instalado e não compensa uma máquina sempre sobrecarregada. Mas como gesto simples, sobretudo para quem vive com cães ou gatos, pode ser aquele pequeno empurrão para a roupa sair com menos “neve” de pelos.

O objetivo não é perfeição. É abrir a porta do tambor e sentir que, desta vez, a roupa não vem com metade do sofá agarrado.

FAQ:

  • A esponja pode estragar a máquina de lavar? Em geral, não, desde que seja macia e esteja em bom estado. O risco maior é a esponja desfazer-se e aumentar resíduos no filtro, por isso convém verificar e limpar o filtro com mais regularidade.
  • Quantas esponjas devo usar por lavagem? Normalmente 1 a 2 são suficientes. Mais do que isso raramente melhora e pode só criar mais “trabalho” a limpar no fim.
  • Serve para tirar borboto das camisolas? Ajuda pouco quando o borboto já está formado e preso. Para isso, o mais eficaz é um tira-borbotos/depilador de tecidos, usado a seco.
  • Posso usar a esponja com roupa delicada? Pode, mas com cautela: escolha uma esponja macia, use um saco de lavagem para a peça delicada e faça um teste numa carga pequena.
  • Devo colocar a esponja na gaveta do detergente? Não. Deve ir no tambor, para circular com a roupa e apanhar pelos durante o movimento.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário